quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

I've climbed the wall...on a foggy day!

A Grande Muralha da China é um monumento de uma grandiosidade inquestionável que paira nos sonhos de uma boa parte da humanidade. É daquelas visitas que muitos sonham fazer uma vez na vida, antes de partirem deste mundo. Eu também tive esse sonho e aos 30 anos chegou o momento de o concretizar.



Criada com um propósito defensivo, ou assim a ideia da construção foi "vendida", a Grande Muralha consiste num conjunto de muralhas, com aproximadamente 21 200 km, atravessando várias províncias e regiões autónomas. Foi construída entre 220 AC e o século XV DC e é um marco da China Imperial. A ideia da sua construção partiu do imperador Qin Shihuang, mas com a sua morte surgiu um período politicamente tumultuado que fez com que os trabalhos de construção da muralha ficassem bloqueados durante alguns períodos de tempo e daí os atrasos na conclusão da obra. 
Um século depois da obra finalizada, a Muralha acabou por ser abandonada no âmbito do seu objetivo de defesa e é, atualmente, um dos cartões de visita da China e provavelmente um dos pontos de visita obrigatórios dos turistas nacionais (que são mais que muitos) e internacionais.







Tal como se apresente o hoje o dia fora da minha janela de casa, a Muralha apresentou-se a mim com essa mesma cara. Nevoeiro e mais nevoeiro foi o que avistámos. 
Saímos de Pequim numa manhã nublada na última semana de setembro de 2014, nada de mais para um dia normalíssimo em Pequim. Usámos um autocarro de serviço público para chegar à muralha na secção de Badaling, uma das secções mais populares e visitadas, provavelmente pelo investimento feito no restauro desta área que permite aos visitantes um acesso mais cómodo. À medida que o autocarro se aproximava do destino avistámos um cenário enevoado e começámos a adivinhar o cenário que nos esperava. Aqueles cenários com panorâmicas de perder de vista na Muralha não iam acontecer para nós... E não aconteceram. Foi a desilusão total. Não víamos muito mais que a uma distância de poucos metros à frente dos nossos olhos. Para vermos um pouco mais da extensão da muralha tínhamos sempre de andar mais uns metros e o cenário era sempre igual.




 Acabámos por não demorar muito por estas bandas e descemos, tal como tínhamos subido, num sistema com assentos a assemelhar-se a uma montanha russa que permite um acesso rápido à extensão da muralha propriamente dita. 
Terminámos a visita a comer uma massaroca de milho assada enquanto nos despedíamos dos ursos que fazem as delícias dos visitantes na chegada a Badaling.





A realidade nem sempre corresponde à expetativa e viajar pressupõe correr esse risco. Na maioria das vezes as coisas correm bem, mas há situações em que as expetativas saem defraudadas. O importante é não desanimar, aceitar que as coisas são mesmo assim e continuar o processo de descoberta do mundo. 

Boas viagens a todos!

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