quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Escapadinhas&Escapadelas 2015



Mais um ano a chegar ao fim. 2015, à semelhança dos anos anteriores, tem um balanço muito positivo, com mais sonhos de vida realizados, mais metas alcançadas.
Falta muito, mesmo muito para ter a volta ao mundo mais ou menos feita. Um passo de cada vez.
É sempre bom ter objetivos por atingir. Significa que há muitas descobertas e sorrisos que ainda estão para vir.
Que 2016 seja sinónimo de novos destinos, novas culturas, novos lugares, novas pessoas (e velhos também) e muita felicidade. Feliz ano novo a todos!

Évora

Manchester

Praia da Luz

Almeirim

Florença

Monterosso Al Mare

Corniglia

Vernazza


Manarola

RioMaggiore

Pisa

El Escorial

Parque Warner

Toledo


Mérida

Elvas

São Miguel - Açores

Peniche

Tomar
Pinhão - Douro
Madrid

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Viajar - A melhor forma de gastar o seu dinheiro

A natureza deste artigo já foi tema de conversa e debate entre mim e muitas pessoas. Muitas delas entendem o meu ponto de vista, outras acham que sou uma "viciada" em viagens e não vejo mais nada à frente. Pois bem, a democracia dá o direito a cada um de nós de ter as suas ideias e poder exprimi-las perante os outros, ou seja, cada um é legitimamente livre de ter a sua opinião.
Palácio de Verão - Pequim
Sou viajante independente desde 2009 e estou absolutamente certa que esse investimento foi o melhor investimento da minha vida. Viajar é sem dúvida a melhor forma de gastar dinheiro e permite-nos ganhar muito mais em experiências do que investimos monetariamente. Contudo, existem ainda mitos que fazem parecer que o mundo das viagens é um mundo de ricos. 

Cais do Pinhão - Douro

Ora bem, eu não sou rica, nunca fui, muito pelo contrário. Venho de uma família de origem muito humilde, dormi toda a minha infância na sala, tive um quarto partilhado com a minha mãe pela primeira vez aos 11 anos e só aos 20 fiquei com ele só para mim. Fui criada com roupa em segunda mão e nunca tive brinquedos caros, daqueles que passavam nos anúncios da TV ao sábado de manhã. Tive um lar com uns avós e uma mãe que me deram muito amor e bons valores. Nunca tive muito materialmente falando, mas sempre sonhei abraçar o mundo. 
Em 2009 não tinha viajado muito ainda e muito menos de forma independente. Iniciei nessa época as minhas pesquisas e desde então nunca mais parei. O que é certo é que tenho conseguido fazer mais com menos.
Ao longo do tempo fui prescindindo de muitas coisas - comer fora de casa, roupa, idas ao cinema e teatro, tecnologia, etc) até porque tive de "jogar" sempre com o que ganhava e com as despesas que tinha, que não foram sempre situações lineares. Contudo, acho que fiz as escolhas certas e priorizei o que realmente gosto de fazer. 
Piazzale Michelangelo - Florença
Deixo-vos 5 boas razões que explicar porque viajar é o melhor investimento financeiro que podemos fazer:
  • Viajar abre os horizontes e torna-nos mais tolerantes. Permite-nos conhecer outros povos, observar estilos e modos de vida diferentes dos nossos, conhecer diferentes costumes e crenças. Faz-nos aprender a respeitar a diferença e isso é impagável.
  • As vivências de viagem nunca se perdem. Os bens materiais podem desvalorizar, perder-se, estragar-se, desatualizar-se, mas as vivências de viagem perdurarão para sempre na nossa memória, fazendo-nos recordar com carinho momentos em que fomos muito felizes. 
  • Viajar promove o desapego dos bens materiais. A experiência de viajar leva a uma revisão de prioridades. O contentamento que advém de conhecer outras realidades leva a pôr em causa se era mesmo importante investir numa casa maior e melhor, num carro topo de gama, num robot de cozinha de última geração, num telemóvel topo de gama ou numa renovação de guarda roupa. Não somos o que temos, sem dúvida, até porque essa realidade pode mudar a qualquer momento na vida. No meu caso em particular tenho sentido o desapego até na qualidade do alojamento. Não frequento hostels porque além de gostar de algum recato e em especial do meu WC privativo (por muito humilde que seja), não sou pessoa de adormecer em qualquer lado, com barulho, luzes, etc, mas tenho optado cada vez mais por gastar menos, importando-me pouco se o hotel tem três estrelas, duas, uma ou até nenhuma. Desde que seja limpo e com o mínimo de conforto, "estou-me nas tintas" para o resto. 
  • Viajar aproxima as pessoas e estreita as relações. Viajar a dois ou em grupo promove vivências em conjunto intensas, dado que as pessoas estão o dia todo juntas. Nos momentos bons e adversos aprende-se a lidar coletivamente com as situações. Não há garantia que corra sempre bem até porque cada pessoa tem a sua personalidade própria e por vezes há choques. Ainda assim, é uma excelente forma de crescer nas relações e aprender com elas. 
  • Viajar torna-nos mais humanos. Ao conhecermos realidades diferentes e ao tentarmos compreendê-las  de forma contextualizada (em vez de julgá-las de imediato como boas ou más ou melhores ou piores que as nossas), tornamo-nos mais tolerantes e mais humanos

Nascer do sol nas dunas de Erg Chebbi (Marrocos)

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Templo Suspenso - Datong


A visita à China não deixa ninguém indiferente seja por que motivo(s) for(em), mas sem dúvida que sair das grandes urbes e procurar experiências mais genuínas traz um grande alento à viagem.
A cerca de 60 km da cidade de Datong, na província de Shanxi, está situado o Templo Suspenso (também conhecido por Xuankong Si), "incrustado" na montanha Heng Shan.
É assombroso o momento em que a consciência nos faz pensar acerca da segurança do espaço em questão. O templo está sustentado por estreitos pilares de madeira e os vários salões existentes foram escavados na gruta e revestidos por madeira há mais de 1500 anos.
A experiência da subida a este lugar é, acima de tudo, vertiginosa. Um total desafio aos que temem as alturas. Subimos por estreitos e pouco fiáveis degraus, sempre a contar com muitas paragens para deixar passar os que descem e que são sempre muitos e essencialmente chineses. Desafiamos o medo e encaramos de frente o desafio, que vai-se tornando menos assustador do que se pensava. Passamos por pontes e passagens e vamos alcançando lugares mais altos.
O templo é uma mescla de elementos taoístas, confucianos e budistas, contendo diversas estátuas de ferro, pedra e bronze de deuses das três orientações filosóficas.
Ao contrário do que se poderia pensar, é raro o visitante local que demonstra de forma evidente objetivos "espirituais" na sua visita. Nota-se, essencialmente, que as paragens por sítios destes têm mais a ver com fins turísticos do que com meditação, oração... Poucos são os que se avistam em momentos dedicados à espiritualidade.
Por entre subidas e descidas vamos servindo de cenário para os inúmeros chineses que nos querem fotografar. Há até os que se penduram em nós sem mais nem menos. Afinal a China é um mundo à parte...
























quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Cascatas de Ouzoud - maravilha natural

A 150km de Marraquexe está situada uma das suas mais belas paisagens naturais da região. Essa paisagem maravilhosa é a das Cascatas de Ouzoud, também conhecidas pelas Cascatas da Oliveira, dado que ouzoud na língua berbere significa azeitona.
Ao fazer pesquisas para visitar a região de Marraquexe e o sul de Marrocos, dei com artigos desta maravilha local que atrai muitos locais e já se vão vendo grupos de turistas que não querem deixar de passar por aqui.
O acesso turístico é normalmente feito de carro, próprio ou alugado, ou através das agências locais que vendem excursões de um dia, que foi o nosso caso.
Chegados ao local começamos a vislumbrar a altura imensa das casacatas - cerca de 110m - e começamos a descer a escadaria, parando frequentemente para dar uma vista de olhos nos artigos à venda no local. Era domingo e as cascatas estavam a abarrotar de visitantes, alguns para irem a banhos, mas a maioria não. A cor da água não era convidativa, ou pelo menos não para nós.
Chegados à parte mais baixa das cascatas, já junto ao lago, observámos uma espécie de jangadas, de construção artesanal feita com um estrado de madeira apoiado sobre bidões e com umas cadeiras em tons rosa, que davam um ar alegórico à invenção, mas muito vivaz e engraçado.
Não resistimos à ideia de andar naquele engenho e pedimos ao nosso guia para negociar o preço de uma voltinha. Ficou a 10 dirhams por pessoa (cerca de 1€). Lá subimos para a bela da jangada e fomos vendo o "remador" a aproximar-se da queda de água. Pois é. Ele fez mesmo questão de nos levar às cascatas propriamente ditas e deu-nos o que ele chamou de banho berbere. E foi um banho bem regado e gelado! Uma molha valente!
Saídos a pingar da embarcação, demos um passeio por "pontes" improvisadas com tábuas corridas já quase a vergar. Parecia avizinhar-se um novo banho, mas safámo-nos à risca.
Terminámos a visita às cascatas com um belíssimo almoço num restaurante local, em que eu provei as melhores brochettes (espetadas) de frango de Marrocos. Os restantes foram para uma tagine de cabra, mas eu como não sou fã de carnes com sabores intensos torci o nariz. Creio que a refeição completa ficou por aproximadamente 50 dirhams, o que para a qualidade da comida é perfeitamente justo, ou pelo menos para nós estrangeiros é.





















Antes de regressarmos a Marraquexe o nosso guia levou-nos a Demnate para conhecermos a ponte natural de Imi n'lfri, um lugar absolutamente extraordinário.




Um dia muitíssimo bem passado num país de uma beleza extraordinária, com uma diversidade de cenários surpreendente. Boas viagens a todos!