sábado, 15 de março de 2014

BTL 2014

Sou uma amante inveterada de viagens. Para quem me conhece não há dúvidas. Está-me no sangue, faz parte de mim como o meu ADN. Nesse sentido, não perco há já vários anos a maior feira de turismo do país - BTL (Bolsa de Turismo de Lisboa). Este ano não foi execeção. Iniciei a visita pelo pavilhão 2 e em seguida visitei o pavilhão 1. Ambos foram dedicados ao turismo português, dividido por regiões, na generalidade bem representado, se bem que considero que não tenha existido grande delineação relativa a alguns tipos de turismo como o de desportos de neve, por exemplo, entre outros. Ainda assim, penso que o balanço português foi muito positivo, com várias provas gastronómicas (ótimos vinhos, ótimas carnes e excelente doçaria), muitos panfletos informativos, alguns passatempos, alguma representação musical, uma ou outra interação por parte de quem está nos stands com os visitantes, se bem que neste âmbito seria interessante haver mais dinamismo e não apenas ficar atrás do balcão à espera que alguém faça alguma pergunta ou peça alguma coisa. 
Portugal é um país riquíssimo na diversidade regional e esse traço tem de ser evidenciado e revelado aos nacionais e internacionais que não conhecem as nossas diversas zonas. Do Algarve ao Minho temos de estar orgulhosos da diversidade e riqueza cultural de que estamos dotados.
A desilusão total aconteceu no pavilhão 3, dedicado ao âmbito internacional e com representações de um ou outro operador turístico e de uma ou outra companhia aérea, que neste momento se resume praticamente à Tap. 
Ia à procura de informações de alguns destinos internacionais e dei-me conta que não havia qualquer representação, por consequência informação, de nenhum dos destinos que eu visava. Vejamos a representação de países do Pavilhão 3:
- Tunísia
- Marrocos
- Moçambique
- Angola
- Espanha (só Extremadura e Andalucía)
- Macau
- Taiwan
- São Tomé e Príncipe
- Brasil (com incidência no Amazonas)
- República Dominicana
- Cuba
- Turquia
- Panamá
Mais não me lembro, mas é possível que me tenha falhado algum. Agora pergunto-me: estes são os limites dos horizontes dos portugueses no âmbito do turismo internacional? Já se foram os tempos em que eu recolhia mapas, folhetos e pequenos guias dos Fiordes Noruegueses, da Filândia, da República Checa, da Polónia, da Argentina, do México (e não me estou a referir propriamente à Riviera Maya), das várias regiões de Espanha, entre muitos outros. Senti-me triste, não nego. Senti que o que estava a "sair" era a Tunísia limitada a Yasmmine Hammamet que é uma espécie de "Albufeira" construída para receber turistas europeus, Marrocos em versão Saïdia, que nada mais é do que uma zona balnear construída à pressão para implementar cadeias de hotéis espanholas que fornecem pulseiras de regime TI ( tudo Incluído), a República Dominicana também com as famosas pulseiras TI dos seus hotéis à beira mar "plantados", o Brasil com as suas praias paradisíacas (Rio Grande do Sul e Campinas ninguém sabe onde ficam) e por aí em diante. 
Caramba. Será que a nossa ideia de conhecer "além mar" é enfiarmo-nos dentro de um voo charter à pinha, para ganharmos um carimbo novo no passaporte seguido de uma clausura dentro de um hiper resort 5 estrelas, com 6000 pessoas lá dentro e comida e bebida à descrição a qualquer hora do dia? Não pretendo ferir suscetibilidades, até porque eu própria já estive nalguns desses resorts e cada um tem liberdade total para fazer o tipo de viagem que bem entender. Contudo, confesso-me desiludida por ouvir pessoas com quem falo enaltecidas por já terem "viajado" imenso, para destinos que se ficam dentro dos resorts, sem qualquer elucidação/conhecimento sobre a realidade de um país e do seu povo.
Inevitavelmente esta tendência está refletida no pavilhão 3 na BTL. Com muita pena minha, parece que estamos a limitar horizontes.


domingo, 9 de março de 2014

DORMIR EM AEROPORTOS

Já vos aconteceu estarem a partir de ou a chegar a um aeroporto e ver gente a dormir dos bancos existentes ou de improviso em qualquer sítio onde dê para alguém se encostar pura e simplesmente?? Pois eu tenho a sensação que há cada vez mais gente a adotar este tipo de "mini-estadia". 
Nunca tinha pensado muito bem no assunto, mas há tempos descobri um site que se dedica ao "estudo" dessa modalidade:
http://blog.sleepinginairports.net/
Pelas minhas leituras há viajantes a pouparem noites de hotel sempre que têm voos cedo e talvez não só.
Parece que existe todo um esquema montado para tornar a acomodação o menos penosa possível.
Existem sugestões como:
- Levar um colchão insuflável para encher ou um colchão (penso que não se chama colchão) do género dos que usam os escuteiros e as pessoas que acampam
- Levar o saco-cama ou uma manta 
- Colocar bebés a dormir em malas de viagem abertas
- Usar os bancos como camas (mas só os que não têm braços, embora para os mais flexíveis existam estratégias para dormir em bancos que têm braços)
- Levar tapa olhos e tampões para os ouvidos; em alternativa dá para levar fones para tentar barrar o som dos anúncios 
- Levar óculos de sol, pois parece que existem aeroportos onde não permitem que os passageiros fechem os olhos, quanto mais que estejam a dormir (há de tudo neste mundo, sem dúvida...)
- Levar Vicks Vapo rub para colocar um pouco debaixo do nariz em terminais com odores
- Levar uma tripla para poder carregar vários equipamentos em simultâneo (telemóvel, portátil, tablet, etc)
- Toalhitas para manter a higiene em dia
- Garrafas de água e comida tipo snack
- Levar um despertador ou colar um post it a dizer "Acordem-me às ... horas"
- Levar livros, revistas e outras opções de entertenimento
Mas para mim o melhor deste blog são as fotos do género "apanhados" de gente a dormir em aeroportos. Há figuras tão ridículas que não lembram a ninguém. É só procurar na secção "...more stff" e dpois escolher o subtítulo "airport photos" e a partir daí existem imensas opções. 
O site é particularmente útil no sentido em que existe um ranking dos piores e dos melhores aeroportos para dormir ou passar algumas horas em descanso. Existem ainda várias descrições de situações passadas em aeroportos, com alguns relatos engraçados e outros nem por isso.
Num âmbito mais triste, existe um artígo dedicado a seis pessoas que pelos piores motivos vivem efetivamente em aeroportos.
Aconselho mesmo a visitarem este blog e a perderem algum tempo a explorá-lo, porque é de facto interessante pelos motivos mais ambivalentes. Encontrarão, ainda, muito mais informação sobre aeroportos e outros temas associados.