terça-feira, 21 de novembro de 2017

Viagens e lavar roupa em modo self-service

Não é novidade aqui no blog que gerir a bagagem nem sempre é um tema pacífico. 
Dos mais pragmáticos aos menos seletivos, todos acabam por ter problemas no que toca a gerir bagagem em viagens de longa duração. Levar uma mala de mão - cabin size - para uma viagem de 3 dias não exige uma gestão complicada dos pertences. 
Contudo, se passarmos de 3 dias para 3 semanas, teremos a necessidade absoluta de pensar como ter roupa limpinha (e preferencialmente cheirosa...) durante tanto tempo longe de casa.
Bem, há sempre quem esteja em casa de familiares ou amigos, ou ainda quem esteja em a viajar com sistema de alojamento couchsurfing, ou até quem fique em hostels onde por vezes existem máquinas de lavar roupa para desenrascar a situação. 
Mas, para todos a quem isto não acontece, há que pensar se querem viajar com 23kg (ou até mais), ou querem poupar as costas na parte do quase arrastar a mala ao longo de longas 3 semanas de um lado para o outro. Chega então a altura de considerar o serviço das lavandarias self service, tão na moda cá para o território tuga, mas igualmente popular em muitos outros destinos mundiais (EUA, Canadá, Austrália e pelo menos numa boa parte dos países desta Europa fora). Estes espaços além de cheirozinhos, costumam ter wi-fi grátis para ajudar a passar o tempo da lavagem/secagem, o que é uma mais-valia.
De grosso modo, para poupar as costas e manter a espinha dorsal em modo saudável, é aconselhável optar por menos peso na bagagem e perder umas horitas da viagem para lavar a roupa (atenção às misturas de cores, pois pode sair disparate). Por vezes, umas moedas chegam para pagar o serviço, embora lavagem e secagem costumem ser pagas à parte.
Chegamos agora a outra dúvida: "Então e passar? Ou vou ter de andar com a roupa toda amarrotada?". Nada disso. Para quem não sabe, uma boa parte das peças já sai da secagem com poucos ou quase nenhuns vincos. Mas para os mais exigentes que levaram a camisa das reuniões de trabalho para a viagem, podem sempre pedir o ferro emprestado ao hotel. Sim. Os hotéis na sua grande maioria já têm uns para emprestar (já tive até casos em que estavam dentro do roupeiro do quarto em conjunto com a tábua). Ainda assim, a melhor opção é viajar com peças que não se amarrotem muito, o que facilita tudo.
Para os que pretendem viajar leves, mas não empreender o esforço da lavagem self service,poderão sempre recorrer ao serviço de lavandaria do hotel, com preços mais salgados, é claro.
Boas viagens e boas lavagens!




terça-feira, 10 de outubro de 2017

Banhos Quentes em São Miguel - A Triologia

A Ilha de São Miguel é, provavelmente, a ilha mais turística dos Açores e também a que conta com mais visitantes. Além das suas paisagens idílicas que são obra da natureza e que deixam qualquer um absolutamente deslumbrado, da gastronomia rica que apela ao uso de produtos locais, esta ilha é um local absolutamente imperdível para banhos de água quente em qualquer altura do ano (obviamente que não estou a referir-me aos da banheira).
Resumindo, quem quiser passar um fim de semana ou uns dias de férias relaxantes, deverá contemplar esta ilha como destino potencial.

Seguem os melhores sítios para usufruir destes espaços com características geotérmicas muito especiais:

Poça da Dona Beija (Furnas) - Este quase se não mesmo spa ao ar livre deve o seu nome a uma personagem de uma novela brasileira chamada Dona Beija que tinha por hábito tomar banhos de cachoeira. 
O lugar integra um conjunto de nascentes férreas, a rondar os 39ºC, sendo que as suas 3 piscinas têm temperaturas ligeiramente diferentes.
Usufruir deste espaço é uma experiência maravilhosa e pode ser feita a partir das 7h da manhã até às 23h, sendo que a saída das piscinas terá de acontecer até às 22h45. O espaço tem entrada paga de 4€, sendo que as crianças até aos 6 anos pagam 3,50€. Nos WC's o banho de água fria é grátis, mas o de água quente custa 0,50€ por alguns minutos.






Parque Terra Nostra (Furnas): Nas Furnas, além da Poça da D. Beija, é possível visitar outro oásis para banhos e, também, para passeios devido aos seus extensos jardins que primam pelo exotismo. 
O jardim foi criado por um cônsul americano e ainda mantém a casa que era do mesmo, junto ao tanque principal. 
Os visitantes terão de ter a noção de que a roupa de banho que usarão nestas águas ficará irreparavelmente manchada, devido às suas propriedades férreas que lhe dão o tom de ferrugem, ao ponto em que a água fica completamente turva. Se deixarem cair o relógio ou o brinco no fundo da piscina, não contem poder mergulhar e conseguir recuperá-lo. O espaço conta com vestiários e duches frios exteriores gratuitos.
A entrada no Parque Terra Nostra é paga, sendo que a tarifa de adulto é 8€ e a de criança é 4€. No complexo do parque está integrado o Terra Nostra Garden Hotel e o respetivo restaurante aberto ao público em geral. O parque abre das 10h às 18h. 



Caldeira Velha (Ribeira Grande) - Na subida (ou descida) para a Lagoa do Fogo (para mim a mais a lagoa mais bonita da ilha), podemos encontrar o Centro de Interpretação Caldeira Velha que é não só um sítio fantástico para banhos, mas também para caminhadas na natureza. Já fiz a visita ao lugar três vezes e na última tive oportunidade de fazer o trilho da Nascente, acompanhada de um guia local, que termina no lugar com a vista ideal para a cascata. É na cascata que podemos tomar banhos com temperaturas a oscilar entre os 25 e os 30ºC. A dica para ter a água mais quentinha é indo para junto da queda de água. Fora desta espaço o calor dissipa-se um pouco. 
Existe um segundo tanque criado há uns anos, onde a água é bastante quente ao ponto de às vezes ser preciso sair para refrescar. O recinto conta com vestiários e duche frio gratuito. É facultado aos visitantes, gratuitamente, cestas de plástico para transportar/arrumar os pertences sem que eles se molhem. 
A entrada neste espaço é paga (bilhete adulto: 2€; bilhete família: 4€; bilhete criança dos 4 aos 12: 1€; entrada gratuita até aos 3 anos) e, tem diferentes horários de funcionamento, consoante a época do ano: 
Novembro a fevereiro > 09:00 às 17:00

Março e outubro > 10:00 às 18:00
Abril a setembro > 09:00 às 20:30









Além destes 3 lugares extraordinários é, ainda, possível usufruir de banhos de água quente na Piscina Natural da Ponta da Ferraria e, na Praia do Fogo (Ribeira Quente), devido à existência de nascentes termais nessas regiões. 

Não aproveitar estas maravilhas naturais do nosso país é um pecado! Sigam estas dicas e desfrutem do melhor que a Natureza tem para oferecer!





sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Crianças e viagens

Viajar é o tipo de experiência que marca todos que a vivem. As crianças não são exceção. 
É comum ouvirmos pais a comentar que provavelmente não vale a pena levar os miúdos na viagem, porque eles não vão aproveitar, não se vão lembrar da experiência no futuro, que vão se aborrecer e aborrecê-los a eles, que não vale a pena esse gasto...enfim. 

Não sou mãe. Contudo, sou professora há mais de uma década e observo o brilho nos olhos dos pequenos que põem o dedo no ar não conseguindo aguardar a vez de intervir quando se trata de partilharem com os restantes um ou outro sítio que já conheceram. Também observo os viajantes de palmo e meio que vou encontrando nos meus destinos e pelo que constato estão nas suas sete quintas, muitas vezes interagindo com crianças locais, sem falarem sequer uma língua comum. Não é de espantar. Se todos nós procurarmos nas nossas memórias de infância, os passeios estão lá claramente definidos. Naturalmente a visão na infância de um determinado local é diferente da visão na vida adulta. No entanto, as sementes foram lançadas e o gosto por descobrir o mundo vai progressivamente crescendo e tornando-se num objetivo.

Acreditem os pais mais materialistas ou não, as crianças rapidamente esquecem um ou outro presente que receberam. Contudo, jamais esquecem um sítio que visitaram. Feitas as contas, levá-los a um sítio novo, nacional ou internacional, será sempre um investimento mais interessante e duradouro na memória que os ajudará a crescer conhecendo outras realidades e culturas, procurando compreender a existência de outros valores e outras visões de vida, sendo no entanto gratos pelas oportunidades que lhe vão sendo dadas. 
Viajar é bom...não privem as crianças dessa vivência!


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Estádios de futebol... espalhados pelo mundo

Não gosto de Futebol. É assumido. Não tenho clube, não tenho interesse e não percebo nada do tema. Conheço um ou outro jogador através das notícias e pouco mais. Mas apesar de leigos na matéria, os meus olhos já contemplaram mais estádios que muitos ferrenhos adeptos de futebol. E porquê? Porque eu tenho um marido que percebe à séria do tema e em viagem lá tenho de picar cartão junto a um estádio, mesmo que seja apenas para ver o exterior.
Eis a listagem de palcos futebolísticos que eu já conheço:

Santiago Barnabéu - Madrid




Camp Nou - Barcelona




Estadi Olimpic Lluís Companys - Barcelona




Estadio de Mestalla - Valência



San Mames Zelaia - Bilbao




Stade Vélodrome - Marselha




Parc Olympique Lyonnais - Lyon




Stade Roi-Boudoin - Bruxelas




Amsterdam Arena - Amesterdão





Old Trafford Stadium - Manchester




Generali Arena - Praga



Allianz Arena - Munique




Ninho de Pássaro (Estádio Nacional) - Pequim






Estádio D. Afonso Henriques - Guimarães





Estádio do Dragão - Porto





quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

I've climbed the wall...on a foggy day!

A Grande Muralha da China é um monumento de uma grandiosidade inquestionável que paira nos sonhos de uma boa parte da humanidade. É daquelas visitas que muitos sonham fazer uma vez na vida, antes de partirem deste mundo. Eu também tive esse sonho e aos 30 anos chegou o momento de o concretizar.



Criada com um propósito defensivo, ou assim a ideia da construção foi "vendida", a Grande Muralha consiste num conjunto de muralhas, com aproximadamente 21 200 km, atravessando várias províncias e regiões autónomas. Foi construída entre 220 AC e o século XV DC e é um marco da China Imperial. A ideia da sua construção partiu do imperador Qin Shihuang, mas com a sua morte surgiu um período politicamente tumultuado que fez com que os trabalhos de construção da muralha ficassem bloqueados durante alguns períodos de tempo e daí os atrasos na conclusão da obra. 
Um século depois da obra finalizada, a Muralha acabou por ser abandonada no âmbito do seu objetivo de defesa e é, atualmente, um dos cartões de visita da China e provavelmente um dos pontos de visita obrigatórios dos turistas nacionais (que são mais que muitos) e internacionais.







Tal como se apresente o hoje o dia fora da minha janela de casa, a Muralha apresentou-se a mim com essa mesma cara. Nevoeiro e mais nevoeiro foi o que avistámos. 
Saímos de Pequim numa manhã nublada na última semana de setembro de 2014, nada de mais para um dia normalíssimo em Pequim. Usámos um autocarro de serviço público para chegar à muralha na secção de Badaling, uma das secções mais populares e visitadas, provavelmente pelo investimento feito no restauro desta área que permite aos visitantes um acesso mais cómodo. À medida que o autocarro se aproximava do destino avistámos um cenário enevoado e começámos a adivinhar o cenário que nos esperava. Aqueles cenários com panorâmicas de perder de vista na Muralha não iam acontecer para nós... E não aconteceram. Foi a desilusão total. Não víamos muito mais que a uma distância de poucos metros à frente dos nossos olhos. Para vermos um pouco mais da extensão da muralha tínhamos sempre de andar mais uns metros e o cenário era sempre igual.




 Acabámos por não demorar muito por estas bandas e descemos, tal como tínhamos subido, num sistema com assentos a assemelhar-se a uma montanha russa que permite um acesso rápido à extensão da muralha propriamente dita. 
Terminámos a visita a comer uma massaroca de milho assada enquanto nos despedíamos dos ursos que fazem as delícias dos visitantes na chegada a Badaling.





A realidade nem sempre corresponde à expetativa e viajar pressupõe correr esse risco. Na maioria das vezes as coisas correm bem, mas há situações em que as expetativas saem defraudadas. O importante é não desanimar, aceitar que as coisas são mesmo assim e continuar o processo de descoberta do mundo. 

Boas viagens a todos!