sexta-feira, 2 de maio de 2014

AVISOS A BORDOS

Já vos aconteceu serem bombardeados de avisos a bordo? Rir é o melhor remédio...

sábado, 15 de março de 2014

BTL 2014

Sou uma amante inveterada de viagens. Para quem me conhece não há dúvidas. Está-me no sangue, faz parte de mim como o meu ADN. Nesse sentido, não perco há já vários anos a maior feira de turismo do país - BTL (Bolsa de Turismo de Lisboa). Este ano não foi execeção. Iniciei a visita pelo pavilhão 2 e em seguida visitei o pavilhão 1. Ambos foram dedicados ao turismo português, dividido por regiões, na generalidade bem representado, se bem que considero que não tenha existido grande delineação relativa a alguns tipos de turismo como o de desportos de neve, por exemplo, entre outros. Ainda assim, penso que o balanço português foi muito positivo, com várias provas gastronómicas (ótimos vinhos, ótimas carnes e excelente doçaria), muitos panfletos informativos, alguns passatempos, alguma representação musical, uma ou outra interação por parte de quem está nos stands com os visitantes, se bem que neste âmbito seria interessante haver mais dinamismo e não apenas ficar atrás do balcão à espera que alguém faça alguma pergunta ou peça alguma coisa. 
Portugal é um país riquíssimo na diversidade regional e esse traço tem de ser evidenciado e revelado aos nacionais e internacionais que não conhecem as nossas diversas zonas. Do Algarve ao Minho temos de estar orgulhosos da diversidade e riqueza cultural de que estamos dotados.
A desilusão total aconteceu no pavilhão 3, dedicado ao âmbito internacional e com representações de um ou outro operador turístico e de uma ou outra companhia aérea, que neste momento se resume praticamente à Tap. 
Ia à procura de informações de alguns destinos internacionais e dei-me conta que não havia qualquer representação, por consequência informação, de nenhum dos destinos que eu visava. Vejamos a representação de países do Pavilhão 3:
- Tunísia
- Marrocos
- Moçambique
- Angola
- Espanha (só Extremadura e Andalucía)
- Macau
- Taiwan
- São Tomé e Príncipe
- Brasil (com incidência no Amazonas)
- República Dominicana
- Cuba
- Turquia
- Panamá
Mais não me lembro, mas é possível que me tenha falhado algum. Agora pergunto-me: estes são os limites dos horizontes dos portugueses no âmbito do turismo internacional? Já se foram os tempos em que eu recolhia mapas, folhetos e pequenos guias dos Fiordes Noruegueses, da Filândia, da República Checa, da Polónia, da Argentina, do México (e não me estou a referir propriamente à Riviera Maya), das várias regiões de Espanha, entre muitos outros. Senti-me triste, não nego. Senti que o que estava a "sair" era a Tunísia limitada a Yasmmine Hammamet que é uma espécie de "Albufeira" construída para receber turistas europeus, Marrocos em versão Saïdia, que nada mais é do que uma zona balnear construída à pressão para implementar cadeias de hotéis espanholas que fornecem pulseiras de regime TI ( tudo Incluído), a República Dominicana também com as famosas pulseiras TI dos seus hotéis à beira mar "plantados", o Brasil com as suas praias paradisíacas (Rio Grande do Sul e Campinas ninguém sabe onde ficam) e por aí em diante. 
Caramba. Será que a nossa ideia de conhecer "além mar" é enfiarmo-nos dentro de um voo charter à pinha, para ganharmos um carimbo novo no passaporte seguido de uma clausura dentro de um hiper resort 5 estrelas, com 6000 pessoas lá dentro e comida e bebida à descrição a qualquer hora do dia? Não pretendo ferir suscetibilidades, até porque eu própria já estive nalguns desses resorts e cada um tem liberdade total para fazer o tipo de viagem que bem entender. Contudo, confesso-me desiludida por ouvir pessoas com quem falo enaltecidas por já terem "viajado" imenso, para destinos que se ficam dentro dos resorts, sem qualquer elucidação/conhecimento sobre a realidade de um país e do seu povo.
Inevitavelmente esta tendência está refletida no pavilhão 3 na BTL. Com muita pena minha, parece que estamos a limitar horizontes.


domingo, 9 de março de 2014

DORMIR EM AEROPORTOS

Já vos aconteceu estarem a partir de ou a chegar a um aeroporto e ver gente a dormir dos bancos existentes ou de improviso em qualquer sítio onde dê para alguém se encostar pura e simplesmente?? Pois eu tenho a sensação que há cada vez mais gente a adotar este tipo de "mini-estadia". 
Nunca tinha pensado muito bem no assunto, mas há tempos descobri um site que se dedica ao "estudo" dessa modalidade:
http://blog.sleepinginairports.net/
Pelas minhas leituras há viajantes a pouparem noites de hotel sempre que têm voos cedo e talvez não só.
Parece que existe todo um esquema montado para tornar a acomodação o menos penosa possível.
Existem sugestões como:
- Levar um colchão insuflável para encher ou um colchão (penso que não se chama colchão) do género dos que usam os escuteiros e as pessoas que acampam
- Levar o saco-cama ou uma manta 
- Colocar bebés a dormir em malas de viagem abertas
- Usar os bancos como camas (mas só os que não têm braços, embora para os mais flexíveis existam estratégias para dormir em bancos que têm braços)
- Levar tapa olhos e tampões para os ouvidos; em alternativa dá para levar fones para tentar barrar o som dos anúncios 
- Levar óculos de sol, pois parece que existem aeroportos onde não permitem que os passageiros fechem os olhos, quanto mais que estejam a dormir (há de tudo neste mundo, sem dúvida...)
- Levar Vicks Vapo rub para colocar um pouco debaixo do nariz em terminais com odores
- Levar uma tripla para poder carregar vários equipamentos em simultâneo (telemóvel, portátil, tablet, etc)
- Toalhitas para manter a higiene em dia
- Garrafas de água e comida tipo snack
- Levar um despertador ou colar um post it a dizer "Acordem-me às ... horas"
- Levar livros, revistas e outras opções de entertenimento
Mas para mim o melhor deste blog são as fotos do género "apanhados" de gente a dormir em aeroportos. Há figuras tão ridículas que não lembram a ninguém. É só procurar na secção "...more stff" e dpois escolher o subtítulo "airport photos" e a partir daí existem imensas opções. 
O site é particularmente útil no sentido em que existe um ranking dos piores e dos melhores aeroportos para dormir ou passar algumas horas em descanso. Existem ainda várias descrições de situações passadas em aeroportos, com alguns relatos engraçados e outros nem por isso.
Num âmbito mais triste, existe um artígo dedicado a seis pessoas que pelos piores motivos vivem efetivamente em aeroportos.
Aconselho mesmo a visitarem este blog e a perderem algum tempo a explorá-lo, porque é de facto interessante pelos motivos mais ambivalentes. Encontrarão, ainda, muito mais informação sobre aeroportos e outros temas associados.


sábado, 22 de fevereiro de 2014

CAFÉ COM REQUINTE - BOSCOLO CAFÉ BUDAPEST

Ao contrário do que é típico no hábito português, não sou uma grande adepta de café. Raramente bebo e quando o faço é geralmente em casa. Não gosto de ir ao café, não aprecio regra geral o ambiente.
Contudo, em viagem há sítios onde se bebe café que são impossíveis de ignorar.
Em pesquisas sobre a cidade de Budapeste, isto durante o planeamento da viagem, encontrei um vídeo de um programa de TV brasileiro que me fez descobrir uma jóia da cidade, não muito longe do nosso alojamento. Essa jóia é o fabuloso Café do Boscolo Budapest Hotel. 

Num dia chuvoso em Budapeste, já a evidenciar a chegada de um outono algo fresquinho, houve a necessidade de alterar os planos de visita que seriam à partida em opções exteriores e procurar abrigo. Dado que saímos do hotel a pé (Easyhotel Oktogon), optámos por percorrer a Erzsébet körút, depois de findada a Teréz körút. A visita ao Café esteve sempre nos planos, mas estava inicialmente prevista para o fim da viagem, contudo optámos por antecipá-la para o segundo dia de viagem. A fachada exterior é imperiosa e revela a grandiosidade do espaço. Guardamos a capa e o chapéu de chuva e entramos. Somos educadamente recebidos por um dos funcionários que nos pergunta se vamos tomar pequeno almoço ou apenas beber café. Denunciamos a nossa intenção que é a segunda hipótese. É nos indicada uma mesa para nos sentarmos. Simpaticamente um dos garçons aborda-nos oferecendo-nos a carta. Os preços, conforme confirmação on line anterior à viagem, são elevados (mais de 4€ por um expresso), mas a experiência de estar num espaço como este torna justo qualquer preço de um simples expresso. Pedimos e somos elegantemente servidos. O expresso é servido com uma apresentação irrepreensível, acompanhado por um copo de água, um pequeno jarro de leite e duas pequenas bolachas (uma de chocolate e outra de manteiga). O sabor é excelente, mesmo para quem bebe pouco café expresso como nós, mas o que nos ofusca é o ambiente que nos rodeia. Os tetos, as colunas, as janelas, os brilhos. O requinte e o glamour deste espaço deixam-nos quase sem reação. É absolutamente impressionante saber que este estabelecimento, aberto ao público em 1894 e com a designação New York Café, viu sentada nas suas cadeiras gente das letras que criou autênticos círculos literários neste ambiente. É simples perceber porquê. Qualquer escritor sentir-se-ia inspirado num lugar como este...
Apesar do Café estar associado ao Hotel que lhe dá nome (atualmente Boscolo Café Budapest), a sua utilização é completamente independente e existe uma porta de funcionamento para quem passa na rua, não sendo necessário passar pelo hotel para usufruir do Café. Na verdade, o Café é bastante mais antigo que o próprio hotel. Como já referi anteriormente, o Café data de 1894, mas acabou por ser encerrado em 2001, data em que foram iniciadas as suas remodelações e em que se iniciou também a construção do hotel. Reabriu em 2006 para felicidade de todos os que o visitam.
Para nossa tristeza, não havia pianista de serviço. Saímos pelo hotel e aproveitámos para contemplar a beleza do seu hall, amplo, revelador de grandiosidade e requinte.
Mais uma memória de viagem fabulosa. 





















quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

IGUARIAS LOCAIS - MARROCOS

Não é, certamente, segredo para quem me conhece que comer é coisa que aprecio seriamente.
Em viagem não é exceção. É certo que os orçamentos de viagem têm de ser quase sempre esticados até ao limite e admito que o supermercado mais próximo do hotel é sempre um "fiel amigo" para não ultrapassar o budget definido. Contudo, não dispenso a prova das iguarias locais que enriquecem a lista de motivos pelos quais visitar um destino. Tenho uma lista para vários paladares, mas tenho também a dificuldade de indicar preferências absolutas. Nesta primeira abordagem ao mundo gastronómico, seguem os sabores de Marrocos.

 CHÁ DE MENTA
É, provavelmente, o embaixador da hospitalidade marroquina. Quase que não há local onde se entre (especialmente hotelaria e restauração), em que não nos seja oferecida esta delícia de bebida quente, que em nada se compara àquela coisa que vem dentro de saquetas e se compra no supermercado. 
Nem sempre o chá é exclusivamente feito com menta. O paladar denota a existência de outras ervas, que uma leiga no assunto como eu não consegue identificar. 
A forma como é servido, por quem sabe fazê-lo, reforça o seu charme.

Chá de menta e biscoitos à chegada - Riad Rose du Desert, Marraquexe

Chá de menta à chegada - Auberge du Sud, Merzouga

SUMO DE LARANJA
É a bebida refrescante e nutritiva por excelência para todos os que chegam à Jemma El Fna ou em qualquer pequeno almoço. A oferta parece quase inesgotável e o preço fixo - 4 Dh. Pessoalmente, não sou grande fã de grumos e caroços, pelo que não fiquei deveras impressionada. Na última noite de estadia lá bebi um que me agradou, mais "filtrado".

Banca de venda de sumo - Praça Jemma El Fna, Marraquexe

CARACÓIS
Existem às dúzias na maior praça do norte de África - Jemma El Fna - e espalhadas em número considerável por Casablanca, as bancas que vendem um dos petiscos mais apreciados pelos portugueses - caracóis. O aspeto e a fragância apelam ao visitante, já o sabor desilude. Falta apurar o tempero...

Caracóis - Praça Jemma El Fna, Marraquexe


PANQUECAS MARROQUINAS
 As panquecas marroquinas são um item obrigatório em qualquer pequeno almoço no sul do país.  Eu deliciei-me a comê-las e o sabor destas apresenta um fator de conforto quase inexplicável. São como comida de casa, sem nunca terem sido feitas na mesma (não na minha, pelo menos). Têm, geralmente, forma de quadrado e encontram-se também à venda nas ruelas da medina de Marraquexe. Estaladiças, crocantes e saborosas, fazem as delícias de locais e visitantes.

Panquecas ao pequeno almoço - Riad Rose du Desert, Marraquexe

Panquecas ao pequeno almoço - Riad Bouchedor, Ouarzazate


Panquecas ao pequeno almoço - Acampamento beduíno, Erg Chebbi


TAGINES
Tagine é um prato típico em diversos países do norte de África e é também o nome do utensílio em que o prato é confecionado, sendo composto por um prato e uma tampa em forma de cone, regra geral uma peça de barro. A viagem pelo sul de Marrocos deu-me a conhecer os seus sabores, que podem ser diversos. Provei imensas, mas tenho de confessar uma predileção por uma tagine de vaca e frutos secos, com acabamento de ovos cozidos e sementes de sésamo, que comi algures num lugar perdido na Cordilheira do Atlas. A suculência da carne a separar-se do osso foi uma experiência quase em primeira mão para mim, que penso nunca ter visto carne de vaca de tão boa qualidade. Isto para não falar no sabor rico e na textura tenra.
Existem tagines de tudo e mais alguma coisa: legumes, frango, cabra, vaca, peixe (sardinha enlatada)... mas creio que os segredos são os temperos.
Em Marraquexe, particularmente, creio que há um ambiente propício a comer uma tagine ou outro prato típico, dado que se come no caos e o caos desta cidade tem o seu encanto. Burros, motas, carros e pessoas transitam desordenadamente, turistas envolvem-se neste ritmo próprio, cheiros de especiarias, cozinhados e poluição convivem em paralelo.
Comprei uma tagine para cozinhar em casa, mas confesso que ainda não a estreei... 

BROCHETTES
A primeira vez que ouvi tal palavra, julguei estar a ouvir falar das famosas bruschetas - aquelas fatias de pão que levam tomate picadinho por cima e um fio de azeite (ou muitas outras variantes) - e estava eu totalmente equivocada. A palavra é francesa e não italiana e daí a minha confusão. Brochettes são, afinal, espetadas e são mais uma maravilha gastronómica de Marrocos.
Só encontrei de frango. Regra geral, são pinceladas com açafrão (que parece que anda ao preço do ouro - 8000€/Kg) e daí o seu aspeto amarelado. Comi as melhores num restaurante das Cascatas de Ouzoud e as piores na Praça Jemma El Fna, na banca nº1. Deu-me ideia que já estavam feitas há bastante tempo e que teriam sido reaquecidas, o que as teria ressequido.

SALADAS
Quentes e frias, são quase obrigatórias em todas as refeições. Incluem legumes diversos, arroz, batata, mas o que as pode diferenciar, além da temperatura, é o tempero. Confesso que não fiquei fã, mas que achei a salada mais tolerável na noite passada no deserto, confecionada pelos berberes que vivem no próprio acampamento.

Tagine de legumes (canto inferior direito), salada de tomate (centro) e Brochettes (canto inferior esquerdo) - Praça Jemma El Fna

Tagines de frango (esquerda) e vaca (direita) com frutos secos. A da direita foi, em toda a viagem, a minha tagine de eleição - Alto Atlas

Salada quente - Alto Atlas

Salada fria - Riad Bouchedor, Ouarzazate

Tagines de frango (direita) e vaca (esquerda) no acampamento beduíno - Erg Chebbi


Tagines ao lume - Cascatas de Ouzoud

Tagine de cabra e brochettes - Cascatas de Ouzoud

Salada fria - Cascatas de Ouzoud

Brochettes, salsichas e salada de tomate - Mellah (Bº Judaico), Marraquexe

Salada fria - Restaurante panorâmico, Praça Jemma El Fna, Marraquexe

Tagine de Frango - Restaurante panorâmico, Praça Jemma El Fna, Marraquexe


sábado, 18 de janeiro de 2014

FOME DE MUNDO

Recentemente vi o vídeo desta jovem espanhola e tenho a leve desconfiança que ela me leu a alma. Eu tenho fome de mundo. Parece que ela também.
Não será compreensível à maioria este modo de estar. Nem é suposto que seja. 
Sem me querer alongar nas palavras, é isto mesmo (com a pequena diferença de que... me gusta volar).


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

PÉROLA TUNISINA

Banhada pelo calmo e harmonioso Mediterrâneo e em plena costa tunisina, está a cidade de Mahdia, um autêntico paraíso balnear (felizmente) pouco explorado, mas repleto de história.
Dista a 4h de Tunis de carro ou autocarro, possivelmente um forte motivo para se tornar pouco atrativa aos pacotes turísticos vendidos em massa pelas agências. Só os mais convictos aqui chegam e se hospedam. É bela e serena, completamente fora dos padrões do habitual contexto balnear tunisino que caracteriza Hammamet, Sousse, Port El Kantoui ou até mesmo a vizinha Monastir. Não tem enchente de turistas, o que facilita o avistamento dos locais nas suas funções habituais.
O peixe é o ouro da terra e traz o pão à mesa na casa muitas famílias. A pesca é uma das atividades mais representativas da cidade e o seu porto é um autêntico "reboliço" quando o peixe chega a terra, ora para vender de imediato, ora para conservar numa das fábricas de conserva ali instaladas.
Mas não só de peixe vive Mahdia. Mais para oeste existe um imenso olival, cujas azeitonas dão origem ao valioso azeite que também é usado como matéria prima na produção de sabão. 
Aliado à pesca e à produção de azeite está o artesanto, à semelhança do que acontece no resto do país. Trabalhos com têxteis, joalharia, couro, madeira e outros materiais estão bem presentes por aqui e encontram-se com facilidade nas lojas que dão vida à medina. 
Quem vagueia pelas ruas da cidade não tem, provavelmente, noção da história que conta esta cidade pacata, à beira mar situada. Mahdia foi "poiso" de fenícios, cartagineses, romanos, fatimidas, caridjitas, ziridas, normandos, almóadas, venezianos, genoveses, berberes, otomanos, espanhóis. Todos os povos que por ali passaram viram nela oportunidades, daí que tenha sido cercada por diversas vezes e tenha sofrido imensas tentativas (e não só tentativas) de ataques de invasão marítima.
A 6 km da costa está uma das mais maiores preciosidades do país, no âmbito da arqueologia submarina: um navio naufragado que data do século I A.C., repleto de objetos de arte ateniense, só descoberto há pouco mais de um século.
Visitei o centro da cidade numa tarde de fim de verão a seguir ao almoço, verão esse ainda algo quente. Por terras do Magrebe o calor não faz as malas com facilidade. A caminhada foi iniciada junto ao mar, percorrendo o passeio marítimo de ótima qualidade à disposição de locais e turistas que aqui contemplam a beleza do mar ou acedem à praia. Uma rotunda faz revelar o seu produto mais nobre e popular com uma escultura gigante. Mais à frente avistam-se uma sereia, pedras pintadas e ao fundo fachadas cobertas de cal e portas azuis. E o azul. O azul de um mar fértil e imenso. O coração da cidade aproxima-se a passos largos e a porta da medina impera junto a uma rotunda decorada a mosaicos com mais do mesmo - peixe. A porta é grandiosa, obra do século X - Bab Zouila. Na época, em 2010, a foto do presidente vigente reflete ainda um período negro da história do país. Cheira a especiarias. Há bancas de rua a vendê-las. Desbravamos medina e encontramos a Grand Mosquée, em estilo peculiar: sem minarete. Embora o aspeto ocidental rapidamente denuncie tanto a mim como a qualquer outro elemento do grupo que comigo segue, percorremos o pátio e olhamos com descrição o interior de uma das salas de oração. Pouco conseguimos ver além dos vigilantes com cara de poucos amigos. Seguimos rumo ao cemitério junto ao mar, com campas de um e outro lado da estrada. No caminho contempla-se uma arquitetuta explêndida em portas e janelas de execução elaborada. Todas as campas têm a sua cabeceira virada para Meca, local sagrado para os muçulmanos. São de todos os tamanhos os túmulos e culminam junto ao que sobrou da fortificação, que em 1554 os espanhóis fizeram explodir ao abandonarem a cidade. Próxima paragem no forte de Borj el Khabir, que data do século XVI, onde se tiram fotos nos canhões ainda presentes. Num regresso ao centro encontra-se a Tunísia em estado puro, onde nem um único turista (além de nós) se avista. Veêm-se portas e portas, todas diferentes, todas únicas. Uma escola. Um minarete de arquitetura turca (formato hexagonal). Crianças que brincam na rua. Vendedores que nos aliciam a entrar nos seus estabelecimentos. À saída da medina uma tatuadora que com gestos rápidos e precisos cria arte com hena na pele das mulheres que ali recorrem. No terminar da tarde, um regresso ao hotel de tuc-tuc, depois do regateio necessário com o motorista, com muitos risos e gargalhadas acompanhados de um vento refrescante junto à marginal.
Mahdia...Linda.